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29 de Março de 2020

A visão dos sociólogos franceses sobre a violência escolar

Tiago Almeida, Crítico
Publicado por Tiago Almeida
há 3 anos

INTRODUÇÃO

A cada dia que passa nos deparamos com situações de extremo horror, sejam apresentadas em telejornais ou em programas de rádio. Comportamentos violentos e mudanças de pensamentos cada vez mais aparentes em nossa sociedade, e as perguntas que ficam em nossas mentes são: Isso sempre foi assim? Como está ocorrendo esta mudança tão catastrófica?

Nós estudantes, professores ou profissionais, sempre queremos saber a raiz de determinado problema e possíveis soluções para o mesmo. Com isso, surge uma disciplina que não é tão antiga, mas que analisa e nos diz a respeito de determinados acontecimentos, índices, dados e situações, até mesmo, narra acontecimentos dentro de uma determinada época e sua repercussão. O nome dessa disciplina é Sociologia, que se ocupa com a pesquisa, reflexão e análise de fenômenos sociais que estão à nossa volta e que não são novos, pelo contrário, possuem uma historicidade.

NASCIMENTO DA SOCIOLOGIA

Émile Durkheim é considerado um dos fundadores da Sociologia como disciplina. Ele a definiu como um modo sistemático de compreender um fenômeno social, partindo do senso comum. Tal senso é um conhecimento baseado em observações e experiências. A Sociologia então, baseia-se em: pesquisa, teorias, estimular a mudança no social, desafiar o estereótipo e explicar ou discorrer sobre o comportamento, em diferentes épocas e contextos.

SOCIÓLOGOS FRANCESES E A VIOLÊNCIA ESCOLAR

Tratando de um assunto em específico, podemos citar a violência na escola e como os sociólogos franceses encaram essa realidade.

Antes de tudo, elencam alguns pontos, como:

  • Não é um assunto novo;
  • Violências mais graves;
  • Faixa etária;
  • Disputas e “Acertos de Contas” por bandos de jovens;
  • Ataques repetidos aos docentes e ao pessoal administrativo da escola.

A violência parece está inserida na estrutura da escola e não é mais considerada como “mero” acidente ocorrido dentro do ambiente escolar. Há três separações para os tipos de violência que ocorre dentro da escola:

· Violência na Escola: é o tipo de violência produzida dentro do espaço escolar, mas não está ligada com as atividades da escola, apenas acontece na mesma.

· Violência à Escola: são os insultos, brigas e violência gerada ao profissionais da escola, até mesmo os danos causados ao (s) prédio (s) da instituição.

· Violência da Escola: tal violência ocorre por atos racistas, discriminação, palavras proferidas e atos injustos. Ocorrem dentro da escola e pode ser gerada dentro da mesma.

Muita das vezes a causa de se ter jovens violentos dentro da unidade escolar é por causa de suas condições sociais e a não aceitação de sua realidade, também há os problemas familiares e até mesmo com outros colegas, ocupando tal raiva e vontade de agir com violência ao outro.

Ocorrendo essa agressividade dentro da escola, muitos jovens ficam angustiados e passam a não desejar os estudos e nem a mudança de sua realidade, ou seja, vivem com medo e receio dentro das salas de aulas. A questão de novelas, filmes e situações do cotidiano do aluno, leva-o também a se tornar um possível agressor.

Há uma diferença entre violência e agressão, a primeira refere-se a atos de brutalidade na medida em que se usa a força e a segunda é subdividida em agressão, que pode ser somente ameaças ou pouca brutalidade e em agressão violenta, onde a brutalidade ocorre fora do normal.

Os sociólogos franceses fazem também uma distinção entre violência, transgressão e incivilidade. Para eles violência é ato (s) contra a lei (Constituição), tais exemplos: tráfico na escola ou homicídio. A transgressão é o comportamento contrário ao regulamento interno do estabelecimento de ensino, tais como: uso de bonés ou ficar fora de sala com professor ministrando aula. A incivilidade não diz respeito às leis ou regulamentos, mas contra as regras explícitas ou implícitas para a boa convivência, tais exemplos: palavrões, brincadeiras em excesso, grosserias e deboches.

A distinção feita é necessária para que não haja misturas e nem generalizações. O tráfico de drogas é caso de polícia, mas o uso do boné pode ser resolvido com a direção da escola e até mesmo as grosserias podem ser resolvida entre aluno e professor ou pessoal da orientação, entretanto, há casos em que grosseria ou o xingamento podem ser considerados transgressão ou violência, tudo dependerá da forma que ocorreu.

Abaixo segue há uma enquete realizada entre 1994 e 1995 por Cécile Carra e François Sicot em uma escola da França, com 70% dos alunos se declarando vítimas de pelo menos um ato de violência:

  • 47,8% dos alunos se declaram vítimas de falta de respeito da parte de outro alunos ou de professores;
  • 27,7% vítimas de casos de pertences pessoais danificado;
  • 23,7% de furto;
  • 15,8% de chantagem;
  • 15,65% de golpe;
  • 9,7% de racismo;
  • 4,35% de extorsão;
  • 2,85% de agressão ou de assédio sexual.

Tais resultados mostram a de falta de respeito e até mesmo como um problema e que muita das vezes passa despercebido pelo professor ou pela orientação. O furto e as chantagens também estão na lista e parecem que não vão acabar. O foco dos diretores e professores devem ser nesses pequenos atos que ocupam enquetes de vitimização e que podem ser resolvidos dentro da unidade escolar. Projetos e atividades que levem o aluno à reflexão pode auxiliar em questões de discriminação.

A articulação da escola junto com professores e pais também pode ajudar no controle à violência, seja da escola, à ela ou nela.

CONSIDERAÇÕES

Por fim, se faz necessário ao se estudar a violência na escola, os seguintes temas: desigualdades, formas de dominação, atividades de reflexão e reuniões. Há também uma tarefa muito importante ao professor, o norte de seus alunos e de buscar formas de não discriminação e de combate à violência, a fim de promover socialização e um ambiente melhor para a promoção do conhecimento.

BIBLIOGRAFIA

Sociologia, Porto Alegre, ano 4, nº 8, jul/dez 2002, páginas 432-443.

LIMONCIC, Flávio, GRIN, Mônica, História e Sociologia. Rio de Janeiro: Fundação Cecierj, 2010, páginas 9-45.

CARRA, Cecile, SICOT, François. Une autre perspective sur lês violences scolaires. 1994-1995.

3 Comentários

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Isso e tantas outras mazelas estão ocorrendo porque os moleques não mais aprendem nem são obrigados a ter respeito, disciplina, responsabilidade e não há mais punicão gracas a essas ladainhas vitimistas dos direitos humanos que destruiram a autoridade dos pais e professores, sempre culpam terceiros pelo mau comportamento do indivíduo, incutem a idéia de liberdade absoluta na mente infanto-jovenil. Hoje, os moleques exigem tudo e podem tudo sem merecer e sem consequências.
O indivíduo passou a ter apenas direitos humanos sem obrigacões humanas, todas as obrigacões são do papai Estado e da mamãe sociedade como se estes não fossem meros reflexos do conjunto de indivíduos. continuar lendo

Eu concordo com você Dóris, entretanto, muito dos casos a própria família tem dedo, pois não educa e deixa por conta da vida e da escola. Uma amiga me disse que a sua filha apanhou na escola (de 7 anos) e até sangue o menino conseguiu tirar da filha dela, mas em uma reunião de pai, a própria avó do menino disse que não consegue dizer não a ele, que ele bate nela, caso ela não faça o que ele quer. Penso se com 7 anos está assim, imagina com 14, 15... 18. Por isso do trabalho acima, não para defender infratores, mas para demonstrar que é um assunto que deve ter cuidado e estudo e principalmente a busca de informações sobre. continuar lendo

Se fosse minha filha e o responsável do moleque me dissesse isso, eu mesma daria uns bons tapas na bunda do moleque e um baita esculacho no responsável dele, não deixaria sem punicão de forma alguma. Porém, as pessoas foram deixando acontecer sem reagir e os abusos chegaram a essas proporcões absurdas, as poucas pessoas como eu que ainda reajo são até criminosas hoje em dia pois que eu seria levada presa por 'espancar' o moleque!!!

A própria necessidade de 'estudos e trabalhos' para um assunto tão básico demonstra bem o quanto o mundo está desnorteado, idiotizado, perdido porque abandonou valores básicos de vida como respeito, disciplina, responsabilidade. continuar lendo